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Bats on the East Tower

Criei este blog com posts com um tema em comum: estilo alternativo. Se tiverem alguma sugestão/pedido, não hesitem em deixar um comentário. Blog escrito no antigo acordo.

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Criei este blog com posts com um tema em comum: estilo alternativo. Se tiverem alguma sugestão/pedido, não hesitem em deixar um comentário. Blog escrito no antigo acordo.

Caso Patricia Heras: Quando ser alternativo dá cadeia em Espanha

 

Howdy little creatures!

 

Hoje trago-vos mais uma notícia já com alguns anos (tenho várias dessas, bear with me), um caso bem grave que se passou aqui na nossa vizinha Espanha, em 2006. Vamos lá!

 

4 de Fevereiro de 2006: Patricia Heras saiu, com um amigo, de bicicleta em Barcelona. Ela estava há poucos meses nessa cidade (Madrid era a sua cidade natal). Vinham ambos de uma festa, e estavam a voltar para casa. No entanto, tiveram um pequeno acidente, que resultou em vários golpes e arranhões. Um carro parou ao pé deles e uma ambulância foi chamada. Esta levou-os para o Hospital del Mar. A história começa aqui.

 

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Patricia Heras

 

Enquanto atendiam o seu amigo, Patricia (de 32 anos) estava à espera nas urgências. A sala estava bem movimentada pois, horas antes, um agente da Guardia Urbana tinha sido ferido no decorrer de uma intervenção junto de uma festa okupa (movimento social que dá uso, de forma ilegítima, a casas e terrenos abandonados. Mais aqui.) que terminou com 9 detidos, alguns feridos em circunstâncias um pouco estranhas (mais tarde veio a saber-se que foram torturados pela polícia). O polícia encontrava-se em coma e o seu estado era grave. Infelizmente, enquanto os médicos atendiam a vaga enorme de feridos, alguns membros da Guardia Urbana viram Patricia Heras sentada nas urgências...e acabaram por a deter. 

 

"Porquê?", perguntam vocês e bem. Ela simplesmente estava lá, sentada, sossegada, à espera. O busílis da questão é que a aparência diferenciada dos detidos correspondia ao que os media chamavam "estética okupa". Tal coisa não existe. Isto porque, como podemos ver ao longo do documentário, muitos membros do movimento têm um aspecto bastante "comum" não existindo, por isso, uma norma a seguir quanto ao visual.

 

No entanto, o que os media consideravam como sendo a dita "estética okupa" pode ser considerado como estética alternativa ou subcultural. Podemos ver que vários dos entrevistados usam roupa preta, piercings, rastas, etc. Ou seja, qualquer alternativo podia ser considerado como um integrante do movimento okupa, mesmo que não o fosse.

 

E foi o que aconteceu com Patricia Heras. Ela não fazia parte do movimento, mas a sua aparência enquadrava-se perfeitamente no que era considerado como a estética dos "okupas". Uma das coisas que levou a que os polícias a confundissem com uma "okupa" foi o seu corte de cabelo "à lá Cindy Lauper", semelhante ao apresentado abaixo: 

 

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Este corte de cabelo, juntamente com as suas roupas góticas ("antissistema" segundo as definiu a polícia), fizeram com que Patricia Heras fosse confundida com um membro do movimento okupa. Acabou presa e foi mais tarde condenada a 3 anos de prisão (com possibilidade de trabalhar no exterior do estabelecimento prisional). Mas infelizmente não aguentou a pressão e os maus tratos que sofria na prisão e acabou por cometer suicidio em 2011, atirando-se da varanda do sétimo andar de sua casa. Podem saber mais aqui.

 

Enquanto cumpria pena, Patricia manteve um blog, que ainda pode ser lido. Podem encontrá-lo aqui

 

O caso é relatado no documentário "Ciutat Morta", que deixo aqui. Este vídeo em particular tem legendas em inglês. De notar que este documentário foi censurado pelo Estado espanhol e pelo governo catalão, e proibido na televisão. No entanto, por ordem de um juiz, foi exibido na TV, mas com cinco minutos a menos (mais informações aqui).

 

 

O que é grave neste caso é que tudo foi feito para incriminar Patricia. Por exemplo a bicicleta, que era uma prova fulcral de que ela dizia a verdade, subitamente ganhou asas e nunca mais foi vista. Parece que foi feito todo o possível para arranjar um culpado pelo estado de saúde do polícia internado. E se isso implicava prender inocentes, especialmente se eles forem o que a sociedade considera como "lixo", who cares? 

 

Este caso demonstra bem a corrupção que grassa na sociedade de vários países. E, nestes casos, são sempre as "mentes pensantes" que mais sofrem pois, por não estarem no meio do "rebanho", não podem ser controladas. E quando não controlamos tudo, há sempre a possibilidade de algo descambar e causar uma reacção em cadeia. Basta ver o que a Sana diz neste post, que eu farei quote aqui (para o caso de terem uma Internet que não quer cooperar):

 

"Mesmo que você não seja de uma subcultura, não custa lembrar: é por causa de várias delas que tivemos a emancipação feminina, liberdade artística, sexual e religiosa, reformas políticas e direitos humanos. Quando tomamos conhecimento disso, entendemos porque é que tantos querem nos "neutralizar". "

 

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Penso que as partes mais interessantes do documentário são as que ficam entre os minutos 1:01:57 até 1:09:12 e os minutos 1:16:53 até 1:17:51. É nesses minutos que compreendemos a gravidade de toda a situação. E ouvimos várias grandes verdades, como por exemplo:

 

  • "Se alguém diz que, devido ao teu aspecto, fazes parte de um grupo considerado marginal, não interessa se te consideras marginal ou não. O facto é que o Estado considera que fazes parte de tudo isto";

  • " O que achei mais fascinante neste caso foi o facto de a minha geração ter dificuldade em entender que uma jovem que adora ler, e que tem uma grande sensibilidade poética e literária, se possa vestir de forma tão diferenciada";

  • " (...) A pessoa mais perigosa é a que veste fato e gravata.(...) A pessoa que se veste de forma alternativa é bem menos perigosa do que quem veste fato e gravata."
  • "(...) na vida real é o contrário. Isto significa que o jornalista vai escrever um artigo em que os culpa (ás vítimas), o polícia vai bater-lhes, o juiz vai achar um espectáculo o apelo à pena máxima, e a sociedade vai aplaudir e dizer "Olhem, isso é o que vos acontece por se vestirem assim!" "

 

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Não há muito mais que possa dizer, já que tudo está no documentário. Vejam por vocês mesmos. No entanto, quero deixar umas últimas palavras: é muito grave que uma pessoa seja considerada suspeita (e neste caso culpada) de um crime por um simples corte de cabelo ou roupas diferentes das consideradas "certas". Num mundo assim, ninguém está seguro. I mean, depois disso, o que é que se segue? A pessoa é suspeita de homicidio porque a Natureza quis que ela tivesse uma verruga ou um sinal no sítio errado? Fica a questão no ar.

 

Bat Kisses 

 

Oriana Bats

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Este blog recolhe casos de preconceito e discriminação contra pessoas que têm diferentes estilos. Se quiseres contar o teu caso, entra em contacto com a autora através dos comentários do blog. Obrigada e Bat Kisses.
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