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Bats on the East Tower

Criei este blog com posts com um tema em comum: estilo alternativo. Se tiverem alguma sugestão/pedido, não hesitem em deixar um comentário. Blog escrito no antigo acordo.

Bats on the East Tower

Criei este blog com posts com um tema em comum: estilo alternativo. Se tiverem alguma sugestão/pedido, não hesitem em deixar um comentário. Blog escrito no antigo acordo.

Criança rejeitada em creche devido às tatuagens do pai

 

Hello little creatures! Ora aqui estou eu de volta, depois de uns diazinhos de férias do blog e de Portugal. Pois é meus amores, estive num intercâmbio e conheci um pouco de Budapeste (Hungria) e Timisoara (Roménia). No fim do post deixarei o vídeo que fiz por ocasião de tal oportunidade!

 

Mas voltando ao tema: esta notícia. Soube disto ontem. E completamente por acaso, já que não vejo a TVI, e não fazia ronda pelos jornais há uns tempos. E, como devem calcular, fiquei chocada. Vamos então por partes:

 

Um casal, Clife e Bruna procuravam uma creche para a sua filha, Mel. Decidiram colocá-la numa IPSS (atenção, nada contra as IPSS em si. Mas vamos e convenhamos que quem dirige esta não teve a melhor atitude). Até aí tudo bem. Mais tarde, descobre-se nessa IPSS que Clife tem tatuagens e é tatuador. O choque! O horror!

Piadas à parte, foi convocada uma reunião entre os pais e, supostamente, uma educadora. Quando Clife e Bruna chegam à reunião, deparam-se com a directora do local. E começam as complicações. A senhora começa a olhar de lado para Clife, com cara de nojo segundo o próprio, fazendo comentários às tatuagens ao longo da entrevista. Dirigindo-se mais a Bruna do que a Clife. Chegando ainda a perguntar (como se tivesse muito a haver com isso) se os pais de Bruna haviam aceitado o casamento. Como se Clife fosse menos digno devido à arte que possui no corpo.

 

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Clife e a filha

 

Como muito boa gente sabe, o preconceito contra tatuagens é ainda muito. Ouvem-se casos completamente idiotas de pessoas que tem de cobrir as suas tatuagens com pensos, ou que são até despedidas (ou nem chegam a ser contratadas) porque têm tatuagens. Como que implicando que as tatuagens influenciam de alguma forma o desempenho profissional de quem as possui. Ok, há empresas que dizem "ter uma imagem a respeitar". Mas não seria um sinal progressista aceitar pessoas tatuadas no seu seio? Todos nós sabemos que há ainda pessoas que olham para tatuagens com ar chocado, e talvez por isso certas empresas, não querendo perder clientes, não contratem pessoas tatuadas. Mas será que, se partisse dessas empresas aceitar tatuagens, o resto da população não o faria? Pensemos da seguinte forma estereotipada:

 

-> Banco (e quem diz banco diz hospital ou outra profissão/empresa considerada "de respeito" pela maioria da população) = entidade de respeito

-> Bancários = pessoas de respeito, ponderadas, uma "pessoa às direitas" 

-> Pessoas que conseguem emprego no banco = pessoas respeitadas pelas suas qualidades e pelo seu trabalho

 

Tudo isto para dizer que não passa pela cabeça de ninguém questionar os métodos de recrutamento de locais como bancos e hospitais. Estão lá, é porque fazem um bom trabalho e, de facto, o merecem. E não seria essa a visão que as pessoas teriam de uma pessoa tatuada a trabalhar num banco? 

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Não tenho tatuagens (ainda :P), mas quem lê este blog já deve ter tido oportunidade de ler algumas peripécias relacionadas com o meu cabelo colorido. Vamos ver quando tiver ambos. Ás vezes olho para estas coisas e tenho algum receio. Como animais racionais (alguns mais animais que racionais, mas isso agora não vem ao caso), deveriamos ter aprendido ao longo da história que o preconceito (e a guerra, atentados, agressões, etc) não leva a nada. Mas, ao invés, parece que preferimos ter esse tipo de atitudes porque "mudar custa". 

 

Nesta altura do campeonato ainda vejo jornais que dizem que a vítima "diz ter sido vítima". Quando usam esse tipo de expressões, parecem retirar alguma credibilidade à suposta vítima, porque dizer "a pessoa x afirma ter sido vítima de" não é o mesmo que dizer "a pessoa x foi vítima de". Em casos como estes, quase parece uma forma de gozo, não só de descredibilização porque "essas coisas não acontecem". Mas mesmo em casos de discriminação mais do que batidos, como o racismo, ainda há esse tipo de notas introdutórias. Quase como que a dizer que tal coisa não existe. 

Anders Behring Breivik confessou ter matado 77 pes

Anders Breivik a ser preso por um polícia com tatuagens...quem é o mau agora?

 

A aparência ainda é algo que conta muito. É ridículo que uma pessoa entre num estabelecimento de fato e gravata e seja super bem atendido, enquanto outra, que decide (e está no seu direito) ter um visual diferente do habitual, é tratada como cidadão de segunda:

 

"Eu próprio já fui vítima de discriminação e não tenho tatuagens...bastou uma barba grande, o cabelo rapado, umas calças da Levis rasgadas nos joelhos e ter ao meu lado um sujeito engravatado que mesmo tendo chegado depois de mim num balcão dum banco, foi atendido primeiro, com sr.Doutor para ali e sr. Doutor para acolá, e eu atrás a rir-me porque sabia que não era doutor nenhum, porque o conhecia, e eu ali todo roto já com um mestrado no lombo..."

 

"Já me aconteceu tambem no bricomarche e testei a moça lol. Tenho o costume de deixar também crescer a barba, calhou ir lá e pago com uma nota de 20 ela olha pra mim e vê se a nota é falsa, como é obvio ignorei. Passado uns tempo tive que ir lá, lembrei me do acontecimento e tirei a barba. Coicidencia estava a mesma moça na caixa e volto a pagar com uma nota de 20 e não verificou. Depois disso voltei a ir lá com barba e voltou a verificar."

 

Atitudes como esta são ridículas mas ainda acontecem. E por aqui se vê a importância da imagem, mesmo nas situações mais banais. No segundo caso, bastou fazer a barba. Por vezes, basta vestir um fato, como no primeiro caso. Como se as pessoas que mais nos roubam não vestissem fatinho e gravatinha...

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Deixo-vos com este e este link, onde se encontram 2 vídeos. O primeiro do programa "Você na TV", onde o Clife e a Bruna foram entrevistados. O segundo é de um programa do canal do Correio da Manhã, onde são entrevistadas duas pessoas com tatuagens (uma delas um tatuador) e onde são contados 2 casos de discriminação contra pessoas tatuadas (e onde a D. Maya fazia melhor se estivesse calada a maior parte do tempo...enfim). 

 

Deixo-vos também com o dito vídeo acerca da minha viagem ;)

 

 

Oh e btw:

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Bat Kisses

 

Oriana Bats

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Comunicado

Este blog recolhe casos de preconceito e discriminação contra pessoas que têm diferentes estilos. Se quiseres contar o teu caso, entra em contacto com a autora através dos comentários do blog. Obrigada e Bat Kisses.
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