Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Bats on the East Tower

Criei este blog com posts com um tema em comum: estilo alternativo. Se tiverem alguma sugestão/pedido, não hesitem em deixar um comentário. Blog escrito no antigo acordo.

Bats on the East Tower

Criei este blog com posts com um tema em comum: estilo alternativo. Se tiverem alguma sugestão/pedido, não hesitem em deixar um comentário. Blog escrito no antigo acordo.

O direito à diferença…seja ela qual for

 

Howdy little creatures!

 

Hoje trago-vos uma reflexão geral sobre o direito à diferença. Enjoy!

 

O recente caso dos membros da banda iraniana Confess (que podem ser executados por, entre outras coisas, tocarem música Heavy Metal) deixou-me a pensar em muita coisa. Fez-me olhar, ainda mais, à volta. Desde 2009 que vou recolhendo no meu blogue casos de preconceito, discriminação e violência no geral, contra pessoas que pertencem a culturas alternativas, como a gótica e a punk. No entanto surgem constantemente novos casos, a nível mundial e, apesar de já ter falado sobre bastantes, tenho o dobro ou o triplo ainda por publicar.

 

Faz-me imensa confusão como é que, em países supostamente livres (como Inglaterra, América, Espanha e o nosso Portugal), ainda existe gente a quem faz impressão a existência de pessoas que, simplesmente, tem gostos diferentes. Que prefiram outras coisas ao que é considerado “normal” (que, em si, é algo cuja definição varia consoante a pessoa a quem se pergunta “o que é para si normal?”).

 

maxresdefault.jpg

               Um conceito de normalidade diferente 

 

Há pessoas que levam esse facto “na desportiva”: não gostam, mas respeitam. Para quem existe um sentimento de “a liberdade existe para todos, e da mesma forma que eu sou livre, o resto do mundo também o é, desde que não influencie a minha liberdade. E os gostos daquela pessoa não influenciam a minha vida em pormenor rigorosamente nenhum. Por isso, ela tem tanto direito de ter os gostos dela como eu tenho os meus”. Mas se existem pessoas assim, também há aquelas que não levam essa noção existencial tão a sério. E isso vê-se pelas notícias que publico, assim como pelos relatos que vou contando (meus e de outras pessoas).

 

Quem lê esta coluna pela primeira vez pode estranhar: mas afinal não existe só discriminação e preconceito contra etnia, religião, orientação sexual e coisas do tipo? Parece que não. Entre as notícias que publiquei no meu blogue, relacionadas com discriminação contra membros de culturas alternativas, contam-se:

 

  • Uma tentativa de proibição a nível nacional (que não sei se foi para a frente) e outros atentados à liberdade de expressão;

  • Várias prisões, uma num campo de reeducação;

  • Um extermínio a nível nacional;

  • Pelo menos 16 agressões;

  • Pelo menos 2 esfaqueamentos/ mutilações;

  • Uma morte por negligência médica (em que os médicos decidiram que o paciente tinha aspecto de drogado e, por isso, não estava doente. Este morreu de gripe suína, aliada a uma pneumonia grave, uma semana depois);

  • Pelo menos 5 acusações dolosas em tribunal, sendo que uma terminou em execução;

  • Várias instâncias de discriminação em geral (como ofensas verbais, expulsões de locais públicos, entre outros);

  • E pelo menos 4 homicídios.

Lembrem-se que eu referi que tinha ainda o dobro ou o triplo por postar.

Podem perguntar: “mas isso são casos que acontecem no exterior! O que é que interessa para nós?”. Interessa muito. Acredito que a maior parte dos casos nacionais não são revelados, muitas vezes porque as vítimas consideram que as outras pessoas não vão acreditar nelas. Como poderiam, dada a quantidade de gente que as considera os “causadores da sua própria desgraça”? Basta olhar para a quantidade de pessoas que, em notícias sobre indivíduos que tiveram problemas por causa das suas tatuagens, comentam coisas ofensivas. Perdi a conta à quantidade de comentários em que pessoas que possuem tatuagens são chamadas de epítetos chocantes como macacos, gado, piolhosos, ladrões, nojentos, entre outras alcunhas igualmente maravilhosas. Inclusive falo disso no meu blogue.

 

             8c68deaa15c4173de16574ed5f200803.jpg

                              Gado?

 

Os casos nacionais existem. Podemos encontrar alguns em posts e comentários de blogues. Mas raramente aparecem nos media nacionais. Num passado recente tomámos conhecimento do caso de Clife Barbosa, cuja candidatura da sua filha, Mel, a uma IPSS, foi negada devido às suas tatuagens. Não foram poucas as pessoas que afirmaram que o jovem, tatuador, poderia/deveria estar a fazer isso apenas para se promover. Se assim fosse, a instituição ter-se-ia pronunciado, negando tudo. Nunca o fez. No entanto, Clife conta que chegaram a ligar-lhe da instituição para o ameaçar. Acho que isso diz muito.

 

Vários artigos foram feitos sobre esse caso. Em alguns podemos ler comentários que contam situações vividas por quem, como Clife, é um pouco “diferente” (ou porque tem tatuagens, cabelo colorido, um estilo diferente de vestir, etc). Sempre que algum caso vem à tona sabemos sempre sobre, pelo menos, mais outro. E com Clife, vi muitos relatos.

 

A verdade é que também não existe em Portugal qualquer associação que defenda os membros de culturas alternativas (ou pessoas que, simplesmente, têm gostos mais diferenciados). Por mais de uma vez vi pessoas mencionarem esse facto. Ao contrário do que se possa pensar, existem associações preocupadas com esta problemática. É o que acontece na Inglaterra e na Roménia. No entanto, em Inglaterra foi preciso morrer alguém, de forma bastante violenta. O que é que é preciso cá? E noutros países?

 

            41377_100000227852971_9049_n.jpg

Sophie Lancaster: os assassinos "ofenderam-se" com o seu estilo diferenciado. E a Inglaterra acordou.

 

 

Não consigo lembrar-me de todas as vezes que fui chamada de monstro. Aberração. Satânica. Maluca. Mente perturbada. Que me disseram que o Carnaval já tinha acabado, ou que acharam que eu era ladra. Que se riram e me gozaram na minha cara ou em que me seguiram para onde eu fosse, enquanto me ofendiam ou intimidavam. Que me olharam de cima a baixo e torceram o nariz ou passaram por mim e me gritaram palavras inteligíveis aos ouvidos. Esses casos aconteceram nos mais variados sítios: Vendas Novas, Montijo, Lisboa…não é exclusivo de nenhuma localidade ou população.

 

       10801712_768297866574345_1164818521589234694_n.jpg

           "Monstro. Aberração. Satânica."...EU 

 

“Porque é que não mudas a tua aparência então? Só passas por isso porque queres!” podem os leitores afirmar. Eu explico porquê: porque não sou obrigada. Porque da mesma forma que quem me ofende tem o direito de usar o que mais gosta, eu também tenho. Não é porque gosto de roupas que não são do agrado de muita gente, ou porque pinto o cabelo de cores que não são encontradas na cabeça de ninguém por meios naturais, que esse direito perde a validade. A liberdade não é exclusiva de algumas pessoas. Não sou eu que tenho que mudar. A minha escolha de visual não afecta a vida de ninguém. Mas o preconceito afecta a vida de muita gente. Como digo no meu blogue:

 

Será que devemos ser obrigados a mudar? Será que esse é o melhor caminho? Ceder à violência, aceitar que a culpa é nossa por vestir diferente? Tentar ser mais como as pessoas "normais" (onde se incluem as pessoas que acham lógico e aceitável ameaçar-te, tentar mudar-te ou gozar contigo porque és "diferente" delas)?”.

 

O que é “diferente” causa preconceito. Esse “diferente” pode simplesmente ser algo diferente para a pessoa que exerce preconceito. Ninguém é igual a ninguém. As pessoas não são obrigadas a ser cópias umas das outras. É essa a beleza do mundo.

 

Por isso, a próxima vez que virem uma pessoa que consideram “estranha” devido à sua aparência, ao invés de a ofenderem, lembrem-se que é um Ser Humano que em nada é díspar de vocês. Simplesmente tem outro género de gostos, que são diferentes dos vossos.

 

 

Bat Kisses

 

Oriana Bats (Oriana Dias, Animadora Sociocultural)

   

 

I support!

Halloween Countdown

2 Comentários

You want to comment? Follow me...

Mais sobre minha pessoa

foto do autor

Segue-me no Bloglovin'!

Follow

Banner

Create your own banner at mybannermaker.com!
---------------------------------------------------------

Comunicado

Este blog recolhe casos de preconceito e discriminação contra pessoas que têm diferentes estilos. Se quiseres contar o teu caso, entra em contacto com a autora através dos comentários do blog. Obrigada e Bat Kisses.
---------------------------------------------------------