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Bats on the East Tower

Criei este blog com posts com um tema em comum: estilo alternativo. Se tiverem alguma sugestão/pedido, não hesitem em deixar um comentário. Blog escrito no antigo acordo.

Bats on the East Tower

Criei este blog com posts com um tema em comum: estilo alternativo. Se tiverem alguma sugestão/pedido, não hesitem em deixar um comentário. Blog escrito no antigo acordo.

Comentários no metro do Marquês - Oriana Bats

Howdy little creatures!

 

Desta vez venho contar um caso, até bastante preocupante, que me aconteceu há uns meses. Este foi um dos casos que motivou esta rubrica, mas ainda não tinha figurado nela. Ora cá vamos:

 

Eu e o meu namorado tinhamos estado em casa de uma amiga nossa em Lisboa. Ficámos lá a passar a noite pois fomos a um evento que acabou tarde, e no dia seguinte tinhamos locais aonde tinhamos de estar. No fim do dia, para voltarmos para as nossas casas, tinhamos de fazer um caminho de metro, para depois apanhar o comboio. Esse caminho passava pela Estação do Marquês, onde o caso se sucedeu.

 

Como bem sabe quem vive (ou já visitou e por lá passou) Lisboa, a Estação do Marquês tem umas passadeiras rolantes, para facilitar a deslocação. Como estávamos atrasados (e carregados), decidimos usá-las. Perto ao fim de uma das passadeiras, estava um grupo de seis rapazes, alguns deles sentados nas laterais das mesmas (vocês sabem, onde podem apoiar as mãos). Como não iamos ficar parados nas passadeiras, atrasados que estávamos, tinhamos de passar por eles e foi o que acabamos de fazer. Enquanto passávamos, alguns deles começaram a comentar o meu cabelo. A conversa seguiu mais ou menos (atenção que quando digo mais ou menos significa que não me lembro das palavras exactas mas o conteúdo é igual) desta forma:  

 

Rapaz 1 - Olha-me aquele cabelo!

Rapaz 2 - Fo****!

Rapaz 1 - Qualquer dia pinto assim! (dito em tom de gozo)

Rapaz 3 - Fo**** ias ficar lindo! (tal como anteriormente, dito em tom de gozo)

 

Ignorámos e continuamos o nosso caminho. Descemos as escadas e ficámos na plataforma. Para nosso azar, esse grupo seguiu-nos e parou bem perto de nós. Os comentários seguintes foram mais ou menos isto:

 

Rapaz 1: Olha-me aquele cabelo, valha-me Deus!

 

Rapaz 2: Ias ficar lindo com o teu assim! (dito em tom de gozo)

 

Rapaz 1: Fo****! Eu não sou maluco!

 

Rapaz 3: E aquele gancho? Viram aquele gancho? (o gancho em questão era um gancho com uma mão de esqueleto branca)

 

Rapaz 4: Sim, a gaja é doida!

 

(NOTA: atribuo números aos rapazes para facilitar a compreensão. Mas não quer dizer que o Rapaz 1 da primeira conversa seja a mesma pessoa da terceira).

 

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 Imagem representativa dos ganchos

 

A conversa continuou mas não me lembro do que foi dito. Mas eu e o meu namorado optámos por nos afastar. Mas os comentários deles subiram de tom, e as palavras deixaram de ser de gozo para tomarem um tom agressivo. Não tiveram muito tempo de usarem esse tom, porque o metro apareceu. Nós entrámos e o grupo seguiu-nos e entrou na mesma carruagem, mas seguiu calado. E, graças à Deusa, não saíram na mesma paragem que nós.

 

Durante toda a conversa na plataforma, havia pessoas que olhavam para eles, com ar de quem não estava a gostar das atitudes deles. Mas muitas outras olhavam para mim, algumas com ar de nojo. Com ar de quem achava que eu merecia aquela situação, porque tenho cabelo colorido. Ninguém se intrometeu. Ninguém os mandou calar, apesar da catrefada de asneiras que diziam, ou da forma rude e alta como falavam. Eles estavam, ao fim e ao cabo, a incomodar toda a gente. Percebo que as pessoas tenham medo. Mas eles eram 6 gatos pingados e havia mais de 20 pessoas na estação. Será que se os 6 rapazes tivessem partido para a violência, alguém faria alguma coisa? Não sei e acho que nunca saberei. E nem sei até que ponto gostaria de saber.

 

Enfim little creatures, por hoje é isto...

 

Bat Kisses

 

Oriana Bats

 

 

Peripécias da compra do passe - Kikoishot

Howdy little creatures!

 

Mais um "aconteceu comigo", desta feita é um caso contado pelo Youtuber Kikoishot. 

 

Pois é little creatures, o que ele conta não deve ser estranho a muitos de vocês (tal como não o é a mim) infelizmente :(

 

Esperem mais posts destes porque ainda tenho alguns casos da minha laia para contar. Já sabem, podem sempre entrar em contacto comigo para contar os vossos. 

 

 

Bat Kisses

 

Oriana Bats

Criança rejeitada em creche devido às tatuagens do pai

 

Hello little creatures! Ora aqui estou eu de volta, depois de uns diazinhos de férias do blog e de Portugal. Pois é meus amores, estive num intercâmbio e conheci um pouco de Budapeste (Hungria) e Timisoara (Roménia). No fim do post deixarei o vídeo que fiz por ocasião de tal oportunidade!

 

Mas voltando ao tema: esta notícia. Soube disto ontem. E completamente por acaso, já que não vejo a TVI, e não fazia ronda pelos jornais há uns tempos. E, como devem calcular, fiquei chocada. Vamos então por partes:

 

Um casal, Clife e Bruna procuravam uma creche para a sua filha, Mel. Decidiram colocá-la numa IPSS (atenção, nada contra as IPSS em si. Mas vamos e convenhamos que quem dirige esta não teve a melhor atitude). Até aí tudo bem. Mais tarde, descobre-se nessa IPSS que Clife tem tatuagens e é tatuador. O choque! O horror!

Piadas à parte, foi convocada uma reunião entre os pais e, supostamente, uma educadora. Quando Clife e Bruna chegam à reunião, deparam-se com a directora do local. E começam as complicações. A senhora começa a olhar de lado para Clife, com cara de nojo segundo o próprio, fazendo comentários às tatuagens ao longo da entrevista. Dirigindo-se mais a Bruna do que a Clife. Chegando ainda a perguntar (como se tivesse muito a haver com isso) se os pais de Bruna haviam aceitado o casamento. Como se Clife fosse menos digno devido à arte que possui no corpo.

 

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Clife e a filha

 

Como muito boa gente sabe, o preconceito contra tatuagens é ainda muito. Ouvem-se casos completamente idiotas de pessoas que tem de cobrir as suas tatuagens com pensos, ou que são até despedidas (ou nem chegam a ser contratadas) porque têm tatuagens. Como que implicando que as tatuagens influenciam de alguma forma o desempenho profissional de quem as possui. Ok, há empresas que dizem "ter uma imagem a respeitar". Mas não seria um sinal progressista aceitar pessoas tatuadas no seu seio? Todos nós sabemos que há ainda pessoas que olham para tatuagens com ar chocado, e talvez por isso certas empresas, não querendo perder clientes, não contratem pessoas tatuadas. Mas será que, se partisse dessas empresas aceitar tatuagens, o resto da população não o faria? Pensemos da seguinte forma estereotipada:

 

-> Banco (e quem diz banco diz hospital ou outra profissão/empresa considerada "de respeito" pela maioria da população) = entidade de respeito

-> Bancários = pessoas de respeito, ponderadas, uma "pessoa às direitas" 

-> Pessoas que conseguem emprego no banco = pessoas respeitadas pelas suas qualidades e pelo seu trabalho

 

Tudo isto para dizer que não passa pela cabeça de ninguém questionar os métodos de recrutamento de locais como bancos e hospitais. Estão lá, é porque fazem um bom trabalho e, de facto, o merecem. E não seria essa a visão que as pessoas teriam de uma pessoa tatuada a trabalhar num banco? 

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Não tenho tatuagens (ainda :P), mas quem lê este blog já deve ter tido oportunidade de ler algumas peripécias relacionadas com o meu cabelo colorido. Vamos ver quando tiver ambos. Ás vezes olho para estas coisas e tenho algum receio. Como animais racionais (alguns mais animais que racionais, mas isso agora não vem ao caso), deveriamos ter aprendido ao longo da história que o preconceito (e a guerra, atentados, agressões, etc) não leva a nada. Mas, ao invés, parece que preferimos ter esse tipo de atitudes porque "mudar custa". 

 

Nesta altura do campeonato ainda vejo jornais que dizem que a vítima "diz ter sido vítima". Quando usam esse tipo de expressões, parecem retirar alguma credibilidade à suposta vítima, porque dizer "a pessoa x afirma ter sido vítima de" não é o mesmo que dizer "a pessoa x foi vítima de". Em casos como estes, quase parece uma forma de gozo, não só de descredibilização porque "essas coisas não acontecem". Mas mesmo em casos de discriminação mais do que batidos, como o racismo, ainda há esse tipo de notas introdutórias. Quase como que a dizer que tal coisa não existe. 

Anders Behring Breivik confessou ter matado 77 pes

Anders Breivik a ser preso por um polícia com tatuagens...quem é o mau agora?

 

A aparência ainda é algo que conta muito. É ridículo que uma pessoa entre num estabelecimento de fato e gravata e seja super bem atendido, enquanto outra, que decide (e está no seu direito) ter um visual diferente do habitual, é tratada como cidadão de segunda:

 

"Eu próprio já fui vítima de discriminação e não tenho tatuagens...bastou uma barba grande, o cabelo rapado, umas calças da Levis rasgadas nos joelhos e ter ao meu lado um sujeito engravatado que mesmo tendo chegado depois de mim num balcão dum banco, foi atendido primeiro, com sr.Doutor para ali e sr. Doutor para acolá, e eu atrás a rir-me porque sabia que não era doutor nenhum, porque o conhecia, e eu ali todo roto já com um mestrado no lombo..."

 

"Já me aconteceu tambem no bricomarche e testei a moça lol. Tenho o costume de deixar também crescer a barba, calhou ir lá e pago com uma nota de 20 ela olha pra mim e vê se a nota é falsa, como é obvio ignorei. Passado uns tempo tive que ir lá, lembrei me do acontecimento e tirei a barba. Coicidencia estava a mesma moça na caixa e volto a pagar com uma nota de 20 e não verificou. Depois disso voltei a ir lá com barba e voltou a verificar."

 

Atitudes como esta são ridículas mas ainda acontecem. E por aqui se vê a importância da imagem, mesmo nas situações mais banais. No segundo caso, bastou fazer a barba. Por vezes, basta vestir um fato, como no primeiro caso. Como se as pessoas que mais nos roubam não vestissem fatinho e gravatinha...

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Deixo-vos com este e este link, onde se encontram 2 vídeos. O primeiro do programa "Você na TV", onde o Clife e a Bruna foram entrevistados. O segundo é de um programa do canal do Correio da Manhã, onde são entrevistadas duas pessoas com tatuagens (uma delas um tatuador) e onde são contados 2 casos de discriminação contra pessoas tatuadas (e onde a D. Maya fazia melhor se estivesse calada a maior parte do tempo...enfim). 

 

Deixo-vos também com o dito vídeo acerca da minha viagem ;)

 

 

Oh e btw:

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Bat Kisses

 

Oriana Bats

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Comunicado

Este blog recolhe casos de preconceito e discriminação contra pessoas que têm diferentes estilos. Se quiseres contar o teu caso, entra em contacto com a autora através dos comentários do blog. Obrigada e Bat Kisses.
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